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Sempre

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Obrigada!

Algumas pessoas constroem memórias inesquecíveis na nossa vida; outras fazem parte da nossa família, seja ela de nascimento ou construída pelos laços de afetividade e do tempo; existem as que dividem com a gente algumas horas do dia, alguns dias, meses e anos; existem as que conhecem todas as nossas histórias e aquelas que vivem todas essas histórias ao nosso lado.

Existe também aquele tipo de pessoa única, que reúne todas as outras em si e torna-se o nosso lar.

Ao meu lar para sempre, Diego Felix, autor do blog Felix Design – Trabalhos, momentos e design agradeço por todo apoio e amor que me incentiva, me constrói, me inspira e me guia diariamente a ir sempre além.

Sem você, nada disso seria possível.

Os cafés são o centro de toda ação

“O meu gosto pelos cafés não é tanto pelo que lá posso encontrar para beber ou comer. E muito menos pelo fumo, que me incomoda de sobremaneira. É antes pela capacidade que esses espaços têm para captar personagens diferentes. É um ponto de cruzamento. E os melhores cafés são aqueles que têm misturas, uma grande mistura de cores, cheiros, culturas, idades.

Como diria o escritor argentino Jorge Luís Borges (1899-1986) o destino da humanidade é a diversidade. E o café é o sítio onde se pode assistir a esse futuro, observar essa tal diversidade. Isso nem sempre acontece nos cafés da moda, destacados pelos guias de viagem, muitas vezes invadidos pelos turistas e que vão perdendo a sua cor local.

É preciso partir em busca de um espaço anônimo, onde entram alguns turistas, mas onde o que sobressai são as pessoas que fazem parte daquela cidade, daquela cultura. Onde se cruzam turistas, mas também estudantes, empresários, donas de casa, reformados, etc. Por essa razão não posso distinguir um café em Havana, por exemplo, uma vez que os cubanos – que não têm dinheiro para o café – preferem juntar-se nas ruas de Havana velha, no mercado.

Percebo quem gosta de ir em busca da natureza, da praia, das montanhas. Mas sou um bocado tipo Woddy Allen: a montanha é engraçada, bonita, óptima para respirar mas ao fim de dois dias já estou a procurar os sítios onde se pode ir ao cinema, encontrar pessoas, ver exposições, etc. Na praia passa-se o mesmo: gosto muito, até mais do que a montanha, mas tenho que ter um espaço para me sentar, ler, conversar com os amigos. Porque o que eu gosto mesmo é de viajar em busca das pessoas. Gosto dos sítios, mas para mim os espaços sem as pessoas ficam incompletos. Eu gosto mesmo é das pessoas. Viajo sempre um pouco com o espírito do ornitólogo, mas em vez de aves observo as pessoas.

A possibilidade de naquele momento, naquele espaço se cruzarem pessoas que talvez nunca mais se encontrem ou se calhar até se vão conhecer daqui a cinco anos, mas entretanto já se cruzaram sem dar por isso, exerce sobre mim um enorme fascínio. É esta idéia de sincronia (estão todos – cada um com a sua história, com a sua particularidade – ali, no mesmo dia, à mesma hora) que me faz estar alí, sentado.

A idéia de ir observando é essencial num café.  Ali, naquele espaço, assiste-se à vida, ouve-se falar línguas diferentes, pronúncias distintas da mesma língua, ouvem-se pedaços da vida de alguém como se fossem episódios de uma série inacabada, em que o final pode ser desenhado pela nossa imaginação. Se calhar é um pouco deformação profissional: o gosto por observar pessoas. E os cafés são o centro de toda a acção.”

Nuno Artur Silva, excerto da crônica “Visto por”, publicada no suplemento Fugas do Jornal Público (Portugal), de 17.02.2008

Estátua de Fernando Pessoa, posicionada na mesa preferida do escritor, no café A Brasileira, localizado junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.
Estátua de Fernando Pessoa em sua mesa preferida no café A Brasileira, localizado junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.

Caminho

 

Vídeo: Capitu e seus encantos – A dança / Trecho da minissérie Capitu, 2008 – Projeto Quadrante. Música: Elephant Gun/ Beirut

Que seja esse então, traçado pela inspiração, o meu caminho.

Marcado a giz e reescrito à cada sopro de vontade.

Caminho de certeza bamba, que nem eu sei aonde leva.

Caminho andado corrido, andado sofrido, andado manso e pulado.

Tem até mesmo caminho que ainda não foi andado.

Que seja esse então o meu caminho.

Afinal, já não sei se eu o sigo ou se é ele que me cria.

Construa suas mudanças. Feliz 2009!

Música: You had a bad day – Daniel Powter

Que nesse ano se construa a mudança. Aquela que nos aproxima de quem realmente somos.

Que a tentativa tenha muito mais sabor do que a espera.

Que a luta seja diária e constante, pra nos fazer lembrar que a felicidade e a realização também são.

Que não seja obrigatório alcançar o pódio da vida.

Que a soma de nossas pequeninas mudanças, realizações diárias, rompantes de coragem e alegrias inesperadas, passe a ser o critério que nos define como pessoa que constrói.

Que esse seja um ano tanto de bravura quanto de candura.

Um 2009, sinceramente feliz para todos!

Destinatário: Você

Querido,

Já perdi a conta de quantas vezes hoje tive desejo de te escrever coisas bonitas e aproveitar para te contar todas as verdades do meu mundo que você não assistiu nestes dias ausente.

O melhor que consegui são essas linhas que não contam tudo, mas que você lê agora.

É nas horas que penso em te escrever que sinto uma inveja ladra, uma vontade de roubar a inspiração de todas as pessoas que sempre amei ler em minha vida.

De qualquer forma, queria te contar que o mais inesperado nesses dias foi perceber que as coisas mais inusitadas serviram para te trazer para junto de mim.

Na quinta-feira indo para o trabalho, olhei pela janela do ônibus e tive um desses momentos.

Uma moça se espreguiçava na sacada de um desses edifícios antigos do centro da cidade, um solzinho brando batia na janela, o rapaz fazendo uma dancinha divertida tentava a qualquer preço roubar seu sorriso.

Ela sem relutar, sorriu.

Talvez essa história não faça sentido pra você. Talvez faça.

Mas foi extremamente significativa pra mim, me provou que até no amor alheio, consigo ver um reflexo do nosso.

As saudades crescem.

Amor