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Cazuza e Vinícius de Moraes em programação especial do Museu da Língua Portuguesa

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O Museu da Língua Portuguesa preparou uma programação especial para seus visitantes em 2013.

Em janeiro, o público pode conferir a exposição Poesia Agora, que apresenta o trabalho de uma nova geração de poetas, aproximando leitores e autores.

Cazuza solo

No fim do primeiro semestre, o Museu recebe a poesia de Cazuza. A mostra, que contará com manuscritos das composições do cantor, tem por finalidade estimular o interesse pelo cancioneiro do artista, um dos grandes letristas do rock e da MPB nos anos 80, além de promover o debate sobre a língua cantada como patrimônio cultural e sobre a poesia como forma de conhecimento. É a primeira vez na história do Museu que uma personalidade da música será tema de uma exposição.

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Em novembro, o Museu abre suas portas para Vinícius de Moraes, que se estivesse vivo, completaria 100 anos em 2013. Na exposição dedicada ao “poetinha”, como era conhecido, o público vai conhecer diversas facetas de Vinícius, como Homem de Livro (escritor), Homem de Música (compositor) e Homem da Imprensa (jornalista).

Além destas três exposições temporárias, o Museu contará durante o ano com mostras que abordarão a obra do poeta Carlos Drummond de Andrade, do cronista Rubem Braga e do escritor Paulo Coelho, além de uma exposição sobre a origem dos nomes de alguns municípios paulistas.

Ainda este ano, o Museu da Língua Portuguesa inicia uma grande reformulação em seu acervo, incluindo a adequação dos textos impressos em áreas expositivas às novas regras ortográficas, reforma da Linha do Tempo e manutenção no Beco das Palavras

Quer conferir tudo isso de perto?

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Serviço

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA 
Endereço: Praça da Luz s/n; tel.: (11) 3326-0775

Funcionamento:  Terça-feira das 10h às 22h.

Quarta-feira a domingo das 10h às 18h.

Ingressos: R$ 6 e R$ 3 (meia entrada), com entrada gratuita aos sábados.

FLIP 2013

graciliano_ramosEntre os dias 3 e 7 de julho deste ano, ocorrerá a 11ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP.

A FLIP nasceu do sonho de Liz Calder que teve como inspiração o festival literário de Hye-on-Wye, realizado no Reino Unido.

Em 2003, Liz enfrentou grandes dificuldades e muitas desconfianças para conseguir angariar recursos para a primeira edição. O festival cresceu e se profissionalizou, mas para a mentora da FLIP, a festa é, ainda hoje, uma celebração afetiva da literatura.

A curadoria do evento é novamente do jornalista Miguel Conde e o homenageado deste ano será o autor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), que em 27 de outubro completaria 120 anos.

Graciliano foi escritor, jornalista e político. Sua obras apresentavam forte conteúdo social. Memórias do Cárcere e Vidas Secas são bons exemplos disso.

Em Memórias, Graciliano revela um pouco da dura experiência vivida durante a ditadura na época de Getúlio Vargas, em 1935, quando foi preso, acusado de subversão. Em Vidas Secas, um dos seus mais celebrados trabalhos, retrata as dificuldades dos retirantes nordestinos, castigados e humilhados pela seca.

De acordo com Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, a escolha de Graciliano Ramos como homenageado se traduz não apenas nas atividades durante o evento, mas, também, na estreita aproximação do autor e de sua produção literária com a comunidade local durante todo o ano.

“Os alunos das escolas de Paraty vão estudar a vida e a obra do autor desde janeiro e serão realizadas ações permanentes para que moradores e visitantes de Paraty possam ter uma proximidade ainda maior com esse importante escritor”, explica Munhoz.

Atualmente o autor alagoano, autor de 18 títulos, é editado pela editora Record e entre suas obras mais famosas estão: Caetés (1933), São Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas Secas (1938), A terra dos meninos pelados (1939) e Memórias do Cárcere, póstuma (1953).

Nas edições anteriores da FLIP, já foram homenageados: Vinicius de Moraes (2003), Guimarães Rosa (2004), Clarice Lispector (2005), Jorge Amado (2006), Nelson Rodrigues (2007), Machado de Assis (2008), Manuel Bandeira (2009), Gilberto Freyre (2010), Oswald de Andrade (2011) e Carlos Drummond de Andrade (2012).

A FLIP é hoje reconhecida como um dos principais festivais literários do mundo. São cinco dias de festa e cerca de 200 eventos entre debates, exposições, shows, oficinas, exibições de filmes e atividades paralelas ao evento.

Escritores, cineastas, jornalistas, cartunistas e artistas plásticos de renome marcam presença anualmente na festa. Em 2012, mais de 20 mil pessoas estiveram no local.

A programação da FLIP, organizada pela Associação Casa Azul, estará em breve disponível no site http://www.flip.org.br/

Uma única caixa

Fotografia: Light bulb over wooden box ( Penelope Edgar/Zefá )

– Sim, Ana passou aqui.

Colocou toda sua vida em uma caixa.

Uma única caixa.

Teve o cuidado de deixar sem tampa. Me disse que sua vida precisava de ar fresco.

Colocou com esmero meia dúzia de sonhos  nos ombros e foi.

É uma pena que você não tenha chegado um pouco mais cedo, teria se encontrado com ela.

– Sim, Ana passou por aqui.

A porta se abriu

Imagem: A estação de trem – Reginaldo Lima

Esperou anos para que tudo se resolvesse. Mais um pouco e acreditaria que a absoluta ausência de mudança seria sua única possibilidade.
Enquanto coava o café, se lembrou da árvore de tronco cheio de espinhos que tentava subir na infância. Olhou para as cicatrizes das mãos. Riu sozinha.
Deixou o café ainda pingando e ligou apressada.
– Alô.
– Sou eu.
– Aconteceu alguma coisa?
– Aconteceu. Preciso ir.
– Ir aonde?!
– Preciso ir…juntar todas as penas de mim e criar asas. Preciso ir.
– Você está louca?! E a casa? E as suas coisas? E…além do mais, duvido que você vá!
Foi assim. Viveram juntos e se separaram.
Faltou que ele dissesse ao menos que não queria que ela fosse embora e que sentiria saudades.
Varou noites em claro, gritou escondida, chorou sozinha e até mesmo no meio da multidão, optou por não contar à ninguém para logo depois contar a um por um de seus amigos, como quem se confessa buscando absolvição, mudou de planos incontáveis vezes e tentou ser forte.
Passaram – se meses e ela o reencontrou no trem, cercados de coadjuvantes que nunca fizeram parte de sua história.
Ele finalmente disse à ela tudo que ela queria ouvir. Até mesmo aquelas frases que ela julgou que nem mesmo nascendo novamente ele lhe diria. Logo depois lançou aquele sorriso que ela conhecia tão bem – não importa quanto tempo faça, ela me quer de volta.
Ela afastou os braços dele delicadamente com as mãos. A delicadeza de quem soube usar os espinhos para chegar ao alto e enxergar novos horizontes.
Desejou a ele toda a sorte que pudesse alcançar, depositou um beijo em seu rosto e lhe acenou batendo os cílios.
O trem chegou à estação. A porta do vagão se abriu. Sua vida também.

Preciso ir

Imagem: Colorful stairs – Julie Eggers


– Não me olha desse jeito! (em desespero)
Já te disse…se a gente se separar hoje ou daqui a vinte anos, pouco importa porque de qualquer forma eu não vou conseguir te esquecer! Não conseguiria isso nem que eu quisesse!
O que eu preciso é desaparecer por um tempo, pra tentar descobrir se ainda há algo em mim, que não seja parte você!
Silêncio
– Mas olha…eu volto! Com sorte, volto reconstruído, mais feliz, mais eu e com uma outra visão de tudo isso. Talvez me torne esperto o suficiente pra reconhecer que você é acima de tudo meu vício.Te provar e ir embora novamente é uma alternativa que simplesmente não existe pra mim!
Não existe! Você está me ouvindo bem?
( em tom alto, como se quisesse me fazer ouvir a todo custo)
Será que algum dia me você me ouviu? (em sussurro)
Silêncio ensurdecedor
– Não me olha assim.
(em súplica – se continuar agindo dessa forma não saio nem da frente dos teus olhos, quanto mais de sua vida!)
Uma coisa eu te digo, se eu sair por aquela porta, volto só quando puder te olhar na cara e desejar seu bem e sua felicidade, mais do que hoje desejo a minha.
Sento e me desespero
– Calma! Calma pelo amor de Deus!
Não! Eu não acredito que a nossa história se resume nesse amontoado de encontros e desencontros.
( em voz alta pra me convencer )
Você quer saber no que eu realmente acredito?
Acredito que daqui a algum tempo, a gente vai se encontrar pela vida afora, com outra cabeça e com toda certeza com o coração em outro compasso.
Te olho e duvido de cada palavra minha
– Meu desespero se ainda te interessa saber, é me dividir entre desejar seu bem acima de absolutamente tudo, e torcer pra te encontrar com alguém muito melhor que eu, capaz até de te fazer rir de tudo que nós vivemos…e esse egoísmo que me corrói, de querer te encontrar ainda me querendo e me achando toda essa infinidade de coisas que nunca fui!
Preciso ir.

E fui.